sexta-feira, 27 de junho de 2008

Lenda do Carlitos (Resumo)


Só o tempo nos pode ensinar o que é verdade e o que é lenda. Algumas verdades não sobrevivem às eras. Mas a lenda do Carlitos vai viver para sempre e será sussurrada pelos quatro ventos dos vales de Arouca.

Drave é uma pequena aldeia sedeada no Concelho de Arouca, esquecida no fundo de um vale lindíssimo de paisagens deslumbrantes e recantos nunca antes vistos. Paralelamente a este vale "perfeito" ocultam-se histórias tenebrosas que ainda hoje são vividas.

Esta lenda renasce quando, em Drave, moram os dois últimos habitantes da família Martins da Drave, D. Aninhas e Sr. Joaquim.

Chega num dia à aldeia um rapaz, Carlos, que desde logo é tratado por Carlitos e apadrinhado pelo casal.

Numa manhã de Outono, de céu enevoado, e solo encharcado pela água que durante a noite não parou de cair, o Sr. Joaquim e Carlitos partiram na tarefa que todos os dias praticavam, ir cortar madeira.

Sr. Joaquim ao cortar uma árvore, por engano deixa-a tombar em direcção ao seu protegido, acabando por cortar-lhe a perna.

Arrasta o corpo por um trilho até Palhais, trilho este onde ainda hoje é possível ver sangue que caía da perna trespassada de Carlitos…o rapaz acaba por morrer e seu “Pai” enterra-o.

Há quem diga que Carlitos anda à procura de um corpo para habitar…

Há relatos de gente que não percebe como cai… como se tropeçassem em algo invisível … achando isso muito estranho…

Algo existe na Drave…

Lenda do Carlitos


Só o tempo nos pode ensinar o que é verdade e o que é lenda. Algumas verdades não sobrevivem às eras. Mas a lenda do Carlitos vai viver para sempre e será sussurrada pelos quatro ventos dos vales de Arouca.

Drave é uma pequena aldeia sedeada no Concelho de Arouca, esquecida no fundo de um vale lindíssimo de paisagens deslumbrantes e recantos nunca antes vistos. Paralelamente a este vale "perfeito" ocultam-se histórias tenebrosas que ainda hoje são vividas.

Drave, uma aldeia de casa feitas de lages sobrepostas que cortam o vento gelado, foi o lar da Família Martins, uma família simples, feliz e humilde que fez tudo para sobreviver na imensa escuridão provocada pelas duas grande montanhas que se sobrepõem sobre a aldeia.

Foi desde 1700 que as pegadas dos Martins da Drave começaram a ser marcadas no solo do remoto local. E desde então desenvolveram o esquecido lugar. Edificaram casas, moinhos, criaram campos de cultivo, animais e sobretudo um grande laço com aquela terra.

Mas houve um dia que Drave abateu-se sobre as trevas, um dia por muitos relembrado, um dia nunca mais esquecido… Drave perdeu os últimos dois habitantes da família Martins que lá passaram as suas vidas.

D. Aninhas e Sr. Joaquim.

A D. Aninhas e o Sr. Joaquim foram os dois últimos habitantes de Drave, duas pessoas humildes, viveram toda a sua vida na Drave.

Durante muitos anos viveram os dois sozinhos, mas algo veio para os ajudar…

Sr. Joaquim era lenhador, e muitas vezes ia cortar lenha para a sobrevivência do casal… mas o corpo já não era o que tinha sido há três décadas atrás. A lenha era usada para aquecimento, confeccionar comida, construção quer de telhados de casa quer de carros de bois para serem puxados através das sinuosas estradas que quase não davam acesso A Drave.

Esse “algo” que chegou a Drave era o Carlos, carinhosamente tratado de Carlitos por parte da D. Aninhas e Sr. Joaquim. Carlitos era um rapaz novo e tinha 10 anos quando apareceu em Drave. Ninguém sabe de onde ele veio, ninguém sabe quem eram os seus pais, ninguém sabe onde nasceu… mas foi em Drave que FICOU.

Mal lá apareceu foi acolhido pelo velho casal que o alimentaram, pois apresentava sinais notórios de já não comer há alguns dias, mas a sua energia parecia nunca se desvanecer. Carlitos não queria ir-se embora, não parecia preocupar-se com seu passado. E por ali ficou, dia após dia, mês após mês, ano após ano…

Mal ganhou confiança com o rapaz, Sr. Joaquim requisitou a sua ajuda para o ajudar a transportar madeira. Carlitos era muito prestável e o simpático casal ganhou uma imensa afinidade com a criança, e assim habituaram-se a viver os três juntos, como se fossem uma família.

Esta vida perfeita, durou até um dia…

Numa manhã de Outono, de céu enevoado, e solo encharcado pela água que durante a noite não parou de cair, o Sr. Joaquim e Carlitos partiram na tarefa que todos os dias praticavam, ir cortar madeira.

Enquanto o seu protector tratava do corte das árvores, Carlitos entretinha-se a brincar nos riachos, a apanhar lagartixas, que depressa ficavam sem cauda e a lançar pedras para a água fazendo salpicar a vegetação.

O Sr. Joaquim decidiu nesse dia cortar um velho seco Castanheiro que já há muito tempo tinha morrido naquele solo…

O corte estava difícil… Sr. Joaquim chama Carlitos para o ajudar, fazendo força com o pé na árvore, no sentido em que ela iria cair…

O terreno era inclinado e Sr. Joaquim com todas as suas forças, martelava com o machado a velha árvore.

A árvore cede… houve-se o estalar na madeira seca… a árvore começa a tombar… cada vez mais… ouve-se um grito!

A árvore tinha caído por cima da perna do rapaz… sangrava… e Carlitos gritava de dores… tinha o joelho e o fémur esmagados, e o sangue não parava de jorrar…

Sr. Joaquim aflito, corre para Carlitos… levanta o tronco mas não o suficiente para o miúdo sair… estão os dois agoniados…

Carlitos berra de dores, Sr. Joaquim sabe que ele vai morrer se não estancar a hemorragia… mas é impossível tratá-lo da maneira que está… Carlitos tem de sair dali.

Carlos grita ainda mais, com mais força, em maior sofrimento… o seu protector, acabara de lhe cortar a perna com o seu longo machado.

Pousa o machado ensanguentado e pega em Carlitos… o rapaz calara-se… tinha entrado em choque… iria morrer… Sr. Joaquim corre em direcção ao seu lar… na esperança de salvar o seu protegido…

Ele corria com o miúdo… suor escorria do seu rosto e molhava a cara do rapaz… suor que lentamente é substituído por algo mais sentimental…

Chorou durante horas… estava sem forças…

Carlitos está morto… lágrimas do Sr. Joaquim caem na face do corpo relaxado… chora de desespero, chora de aflição… não sabe o que fazer… está sentado no meio de um prado rodeado de nada e sua casa fica a 1,5 km de distância.
Sobre o Sr. Joaquim abate um sentimento de culpa e angústia…

Ele não podia voltar para casa com o corpo do rapaz, sua mulher viveria inquieta para sempre…

Em pleno desespero Sr. Joaquim decide enterrar o corpo, longe de onde a sua mulher o possa encontrar…

Arrasta-o por um trilho, trilho este onde ainda hoje é possível ver sangue que caíra da perna trespassada de Carlitos…

Escava um buraco de 1 metro de profundidade e deixa escorregar lentamente Carlitos…

Dizem que o local onde Sr. Joaquim enterrou Carlitos foi numa antiga povoação sedeada a poucos quilómetros de Drave – Palhais.

O casal viveu inquieto durante o resto das suas vidas e acabaram por falecer semanas mais tarde…

Não se sabe o que Carlitos deixou para traz… mas há algo deixado na Drave que ele deseja recuperar…